O protagonismo do poder aeroespacial nos Estados Unidos e seus reflexos no desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira

Resumo

As duas grandes guerras, a consolidação do poder aeroespacial como elemento decisivo nos conflitos e o advento da tecnologia nuclear tiveram profundos impactos na indústria e na estruturação de um sistema de CT&I nos Estados Unidos, no qual grande parcela dos investimentos públicos voltou-se para o desenvolvimento do setor aeroespacial. Esse modelo de desenvolvimento econômico, pautado na influência militar e na centralidade do poder aeroespacial, ainda se faz presente nos EUA (Eliasson, 2010; Ruttan, 2006; Medeiros; 2007). No Brasil, na década de 40, surgiram as primeiras iniciativas para a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) que tornaria possível, anos mais tarde, o desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira. A concepção do ITA foi proposta pela FAB, mas contou com a participação do Departamento de Engenharia Aeronáutica do Massachusetts Instituteof Technology (MIT). Esses passos iniciais, que contaram com uma aproximação entre Brasil e Estados Unidos, no contexto da Segunda Guerra Mundial, e com certa emulação da política de desenvolvimento aeroespacial dos EUA, não explicam toda a trajetória da indústria aeronáutica brasileira, mas estão na origem de uma rara e bem-sucedida política industrial do país. A percepção dos militares brasileiros sobre o poder aeroespacial como elemento fundamental à estratégia militar moderna, além da noção de que este poder envolveria não apenas a obtenção das aeronaves, mas a capacidade de produzi-las, foi fundamental para as primeiras iniciativas brasileiras no setor. Desde então, a política industrial que permitiu a sustentabilidade de uma empresa de alto conteúdo tecnológico e elevada inserção internacional, parece uma exceção quando comparada a outros setores industriais no Brasil (Ferreira, 2021; Medeiros, Trebat, 2017). Neste trabalho, procura-se investigar, por meio de revisão da literatura e fontes documentais, como a centralidade assumida pelo poder aeroespacial na estratégia militar e no modelo de desenvolvimento industrial dos EUA influenciaram no surgimento e na consolidação da indústria aeronáutica brasileira.

Publicação
Revista Brasileira de Estudos Estratégicos

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Patrícia Matos
Patrícia Matos
Professora Associada

Interessada em Economia da Defesa.