Geopolítica e programa espacial brasileiro: da busca pela autonomia ao Acordo de Salvaguardas Tecnológicas

Resumo

Neste artigo procura-se compreender a influência do pensamento geopolítico brasileiro no desenvolvimento do Programa Espacial, bem como as alterações que se sucederam até o cenário atual, em que o Brasil adota uma postura mais pragmática em relação aos investimentos espaciais. Inicialmente, aborda-se como o pensamento geopolítico nacional influenciou o processo de industrialização no Brasil, desde a década de 30, bem como durante o regime militar, quando se assume a visão estratégica que levaria à implementação de uma série de programas de cunho tecnológico e militar, inclusive o programa espacial brasileiro. Posteriormente, são abordadas as mudanças no paradigma político-ideológico de inserção do Brasil no Sistema Internacional nos anos 90 e o abandono da visão geopolítica das décadas anteriores para uma vertente autodeclarada pacífica e neoliberal. Por fim, discute-se alguns dos resultados alcançados pelo setor espacial brasileiro na década de 2000. Conclui-se que os países que vêm alcançando êxitos no desenvolvimento de suas atividades espaciais são aqueles que não optaram por uma política espacial pragmática e de curto prazo, mas mantiveram programas espaciais amplos, associados à uma política industrial inserida em uma visão geopolítica do desenvolvimento nacional. Nesse cenário, uma inserção secundária no new space poderá promover benefícios comerciais de curto prazo, mas não será capaz de reduziras assimetrias existentes em relação aos países avançados, no campo da ciência, tecnologia e inovação e, consequentemente, no potencial estratégico dessas nações.

Publicação
Revista Brasileira de Estudos Estratégicos

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